Foram presos na madrugada de ontem dois policiais civis acusados de participar da chacina na favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro (capital): os detetives Leandro da Silva Costa (da Divisão de Repressão a Entorpecentes) e Marcus Vinicius Barros (do Instituto Médico Legal). O terceiro policial civil procurado, Jonas Lourenço da Silva (do Departamento Geral de Administração), se entregou no início da noite ao 4o. Tribunal do Juri. Até então continuavam foragidos dois informantes, que completam a lista dos 33 acusados de terem participado do grupo que assassinou 21 moradores de Vigário Geral. O procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio Carlos Biscaia, afirmou que haverá desdobramentos do caso contra autoridades policiais. Segundo ele, a partir do "depoimento estarrecedor" de uma testemunha-chave deverão ser tomadas "medidas contra delegados e policiais civis responsáveis por atividades criminosas" no estado. A testemunha-chave é o ex-camelô e informante policial Ivan Custódio Barbosa Lima. Biscaia confirmou também a existência de indícios de ligação do deputado estadual Emir Laranjeira (ex-PSDB e atualmente sem partido) com grupo de extermínio. Tenente- coronel da reserva, Laranjeira desmente a ligação. Ele fora comandante do 9o. BPM, responsável pelo policiamento na área de Vigário Geral. O procurador-geral disse que, se concluir pela participação criminosa de Laranjeira, a Assembléia Legislativa terá que votar uma licença para ele poder ser processado pelo crime (FSP).