Os deputados Paulo Ramos, Luiz Salomão e Carlos Luppi (RJ) e Wilson Muller (RS), todos do PDT, serão notificados hoje e interrogados na próxima semana em sindicância que apura o tumulto ocorrido anteontem, na votação do projeto que marcaria para seis de outubro o início da revisão constitucional. Os quatro criticaram a abertura de sindicância e Paulo Ramos disse que "faria tudo de novo, e até pior". Se não se retratarem, poderão ser punidos com advertência, suspensão do mandato por 30 dias ou cassação. A crise da revisão deslocou-se também para o Judiciário: quatro partidos-- PDT, PT, PC do B e PSB-- questionaram a convocação em mandado de segurança ajuizado ontem no Supremo Tribunal Federal (STF). O PSDB impõe condições para apoiar o início da revisão constitucional em seis de outubro: eleição para a presidência e relatoria geral da reforma, fim dos trabalhos em 31 de dezembro e definição de uma agenda mínima para a revisão. A informação é do líder do partido na Câmara, deputado José Serra (SP). Os presidentes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Luciano Mendes de Almeida, e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Batochio, reuniram-se ontem para traçar a estratégia de movimentação das forças contrárias à revisão constitucional na próxima semana. Os dois querem garantir pressão intensa, com ocupação da Esplanada dos Ministérios, da frente do Congresso Nacional e das galerias da Câmara, mas de forma pacífica. No próximo dia 29, quando será apresentado novamente o projeto de resolução da assembléia revisora, estudantes e sindicalistas farão passeatas que terminará em frente ao Congresso (JB) (O ESP).