PAÍSES QUEREM INTEGRAÇÃO DAS GRANDES HIDROVIAS

Autoridades paraguaias e bolivianas e empresários brasileiros defenderam ontem, em São Paulo (SP), a eliminação de diferentes obstáculos que impedem que a navegação ocorra sem interrupção nos principais rios da América do Sul. O presidente do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy, estabeleceu como meta desenvolver um projeto para superar a limitação que a hidrelétrica de Itaipu impôs ao transporte por barcaças no rio Paraná. Precisamos buscar uma solução. O frete rodoviário tem-se mostrado muito
75866 elevado e acreditamos que o transporte fluvial possa reduzir
75866 significativamente nossos custos, disse Wasmosy. Existem duas opções. A construção de uma eclusa na hidrelétrica de Itaipu permitiria a volta da navegação ao longo de todo o rio, mas os recursos que precisam ser investidos são muito altos. Wasmosy estima que a obra consumiria cerca de US$4 bilhões. A outra possibilidade seria fazer um sistema de transbordo para contornar por terra-- por rodovia ou ferrovia-- a barragem de Itaipu. Também se estuda a construção de um canal que contornasse a barragem. Vários projetos de integração de bacias hidrográficas foram apresentados ontem no Seminário de Negócios e Oportunidades, promovido pela Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP). O presidente do Paraguai disse que as diferenças brutais nas economias impedem que haja uma coordenação das políticas macroeconômicas dos países-membros do MERCOSUL. "As diferenças criam dificuldades, mas a integração é o único caminho", defendeu Wasmosy. Para ele, o importante para os países-membros do MERCOSUL não é que o tratado entre efetivamente em vigor na data prevista, 1o. de janeiro de 1995, mas o fato de que os acordos comerciais já tenham avançado 85%. "Não é que eu seja contra o início do tratado, mas sou realista. Não se pode falar em integração sem estabelecer primeiro as regras e as sanções do jogo, e ainda existem alguns problemas a serem resolvidos. Mas se em 1995 já tivermos pelo menos uma zona de livre comércio e um tratado de tarifas aduaneiras já estará ótimo", afirmou Wasmosy. O presidente paraguaio disse ainda que o projeto para diminuir o contrabando de veículos do Brasil para o Paraguai está sendo apreciado pelo parlamento de seu país. Wasmosy defende que os carros de Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai tenham um único número de registro, o que facilitaria o controle nas fronteiras. Segundo ele, a Argentina já aprovou projeto semelhante. "O problema do roubo de carros do Brasil é semelhante ao roubo das toras do Paraguai, de onde desaparecem cerca de 300 caminhões por dia", comentou Wasmosy (GM) (JB).