CONGRESSO ADIA VOTAÇÃO DA REVISÃO CONSTITUCIONAL

O presidente do Congresso Nacional, senador Humberto Lucena (PMDB-PB), não conseguiu votar ontem o projeto de resolução que marcava para o dia seis de outubro o início da revisão constitucional. Nas duas horas de uma das sessões mais tumultuadas do Congresso, Lucena conseguiu apenas fazer a leitura do projeto e marcar para o próximo dia 29 a nova votação. Na tentativa de "pôr ordem na Casa", o presidente do Congresso suspendeu a sessão por quatro vezes. O saldo final foi um documento rasgado, um microfone quebrado e parlamentares desmoralizados. O auge da tensão ocorreu no instante em que Lucena determinou a leitura do texto do projeto. Os deputados do PDT e PT, contrários à revisão, defendiam a suspensão da sessão, por suposta falta de quórum. Ante a decisão de Lucena, os deputados do PDT foram até a mesa impedir a leitura. O deputado Wilson Muller (RS) rasgou o documento. Também nas galerias houve protesto. Lucena determinou a expulsão de estudantes e sindicalistas contrários à revisão. Além da imagem dos deputados, o tumulto acabou atingindo a autoridade do presidente do Congresso e provável presidente da ainda incerta revisão. Uma revisão presidida por Lucena é essa baderna. A mesa não respeita o
75860 plenário, nem o plenário respeita a mesa. Revisão constitucional com
75860 vale-tudo não dá, afirmou o deputado José Genoíno (PT-SP). O PDT e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vão tentar na Justiça anular a sessão de ontem. A sessão de ontem marcou a primeira disputa em plenário entre o grupo que está a favor e o grupo que está contra a revisão constitucional. O bloco do contra inclui PDT, PT, PC do B, PSB, entre outros. A ala a favor abriga PFL, PPR, PTB, PRN e PL. O PSDB e o PMDB estão divididos (FSP).