FMI PREVÊ CRESCIMENTO DE 6,1% NA ECONOMIA LATINO-AMERICANA

O comportamento das economias dos países em desenvolvimento é o dado mais positivo e característico da situação mundial neste momento, segundo dados que o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem, em Washington (EUA). Enquanto essas economias intermediárias-- particularmente na Ásia e em muitos países da América Latina-- podem crescer até 6,1% neste ano e 5,5% no próximo, os países ricos terão melhor desempenho do que nos últimos quatro anos, mas não há sinais de que, antes do segundo semestre de 1994, possam recuperar o que perderam com a recessão iniciada em 1990 nos EUA, no Canadá e na Inglaterra, ou em 1992, nos demais países. Já para os mais pobres, em sua maioria africanos, a previsão é de que, segundo o FMI, continuarão em "situação difícil". A economia dos países da América Latina e do Caribe crescerá 3,4% em 1993, um ponto percentual mais do que se estimava, embora a inflação se mantenha muito elevada, com uma média de 221%. Além disso, as economias dos países da região crescerão 3,5% em 1994, segundo a "Perspectiva Econômica Mundial", do FMI. Isso quer dizer que o crescimento da América Latina em todo o ano de 1993 será superior a 1,1% em relação ao cálculo em maio passado e o de 1994 ficará 0,8% acima do que foi previsto então. O crescimento no mundo em desenvolvimento, calculado em 6,1% em 1993 e 5,5% em 1994, contrasta acentuadamente com o aumento de 1,1% e 2,2% para este e o próximo ano, respectivamente, nos países industrializados, segundo estimativas do Fundo. Dentro da região latino-americana, o Brasil continua sendo o país com maiores problemas, pois, embora o FMI espere um crescimento de 4,1% para neste ano, depois da recessão do ano passado, não existe um programa econômico brasileiro aprovado pelo FMI. O Fundo calcula que a Argentina crescerá 5%, o Chile 6% e o México 2,5% neste ano. A nota negativa de toda a região continua sendo a tendência de aumento da inflação, que o FMI calcula em 221,1% no final deste ano, ou seja, superior à de 165,9% em 1992 e de 135,9% em 1991. A previsão de inflação para 1994 é de 162,9%. Muitos países latino-americanos, inclusive Chile e México, aos quais se juntou recentemente a Argentina, conseguiram reduzir a inflação, dando ao mesmo tempo um impulso ao seu crescimento, graças a seus programas de ajuste e abertura econômica. O FMI espera que a inflação ficará em 10,8% neste ano na Argentina, em 12,2% no Chile, em 9,9% no México e em 36,5% na Venezuela, taxas pequenas quando comparadas à de 2.117% do Brasil (GM).