O forte ingresso de dólares no país nos últimos dois anos, que gerou um saldo cambial acumulado de US$3,8 bilhões em julho e agosto, teve um efeito negativo: a dívida pública em poder dos bancos aumentou 5,8% acima da inflação, saltando de CR$3,6 trilhões em junho para CR$3,8 trilhões no mês de agosto, depois de quatro meses de estabilização. Para tentar conter o aumento dos cruzeiros reais na economia, determinado pela entrada de dólares no país, o Banco Central foi obrigado a vender mais títulos aos bancos, elevando a dívida. Para "enxugar" os cruzeiros em excesso, o BC foi obrigado a colocar somente em agosto CR$68 bilhões em títulos. As operações cambiais despejaram CR$87 bilhões a mais na economia no mês passado, enquanto as despesas do Tesouro Nacional superaram em CR$37 bilhões suas despesas (pelo regime de caixa, ou seja, considerando desembolsos efetivos). A estratégia deu certo. Apesar do aumento da dívida, a base monetária teve um crescimento de 25%, bem abaixo do IGP-M de agosto, que ficou em 31,79%. Ao conter a quantidade de dinheiro que circula na economia, o objetivo do BC é evitar uma aceleração maior da inflação. Desde maio, a entrada de dólares no país tem sido o principal fator de expansão da moeda no país. Para tentar frear o ingresso de recursos, o BC já adotou uma série de medidas, entre as quais o aumento do prazo para a captação de dólares no exterior. Os efeitos das restrições, porém, só deverão ser sentidos em setembro ou outubro. Tanto que as reservas cambiais do país continuam crescendo: de junho para julho, aumentaram de US$24,476 bilhões para US$25,937 bilhões, no conceito de liquidez internacional (O Globo) (JB).