O Institute of International Finance (IIF), o lobby dos grandes bancos internacionais na capital norte-americana, pediu aos governos do Grupo dos Sete (G-7, países mais ricos) e aos organismos financeiros multilaterais que fação "os esforços finais" para colocar em prática o acordo da dívida entre o Brasil e seus credores privados e abrir "uma fase nova e mais construtiva das relações (do país) com a comunidade financeira internacional". Em carta enviada ontem ao presidente do Comitê Interino do Fundo Monetário Internacional, Philippe Maystadt, o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, afirma que a efetivação do acordo significará "maior flexibilidade" do fundo e dos governos do G-7. O Brasil, diz Dallara, terá que "dar sinais concretos de disposição de adotar políticas econômicas que inspirem maior confiança". A declaração reflete a ansiedade dos bancos de fechar de qualquer maneira o acordo já negociado com o governo brasileiro. Ela representa, ao mesmo tempo, uma mudança radical na atitude do IIF. Três anos atrás, o instituto tomou a posição exatamente oposta à que agora defende, combatendo a disposição do diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, de apoiar o programa da primeira equipe econômica do governo Collor. Agora, é Camdessus que assumiu a atitude mais dura. Ele já deixou claro que o governo brasileiro terá que adotar um programa de ajuste fiscal a sério para chegar a um acordo com o FMI (O ESP).