O ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, garantiu ontem que nunca recomendou ao Brasil a adoção de um plano de ajuste econômico de livre conversão da moeda como o que vigora em seu país. "O Brasil não necessita dos mesmos mecanismos de ajuste que se aplicaram na Argentina, porque nunca chegou à destruição total de seu sistema monetário, como ocorreu aqui com a hiperinflação" (em 1989 e 1990), disse Cavallo em uma entrevista a correspondentes estrangeiros em Buenos Aires. Cavallo observou que as medidas aplicadas até agora pelo ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso "são um ponto de partida para estabilizar a economia" do Brasil. O ministro argentino se referiu à eliminação de restrições para a compra e venda de moedas estrangeiras e os limites impostos ao Estado "para que somente compre divisas para cumprir seus compromissos no exterior". "Muito provavelmente isso vai permitir que se reduza a taxa de inflação", disse o ministro, acrescentando que "há progressos no setor fiscal porque se está reduzindo o déficit do Tesouro brasileiro". Sobre o MERCOSUL, Cavallo considerou "uma boa idéia", a proposta brasileira de coordenar o tipo de câmbio entre os países-membros. Argentinos e brasileiros, disse ele, querem evitar "as desvalorizações competitivas", que podem favorecer as exportações de um país em detrimento de outro. O governo argentino deseja que os brasileiros eliminem os subsídios implícitos nas tarifas de energia elétrica e gasolina, que, na opinião de Buenos Aires, beneficia as exportações brasileiras. Tanto o Brasil como a Argentina, disse Cavallo, querem "eliminar fatores que provoquem reduções artificiais de custo de produção em um lado e aumentos artificiais de outro". Segundo o ministro "sempre haverá assimetria de custos como por exemplo nos salários", que no Brasil são menores. "Se nós argentinos queremos manter nosso nível salarial teremos de melhorar a produtividade e aproveitar melhor a nossa mão-de-obra para poder competir", afirmou o ministro argentino (GM).