Apontar criminosos no Rio de Janeiro, com o uso de senhas, renderá todos os dias um prêmio de US$250, equivalentes ontem a CR$28,8 mil pelo câmbio comercial, se a denúncia for comprovada. Esse prêmio será oferecido dentro de aproximadamente um mês pela Associação Diga Não ao Crime, em horário nobre das emissoras de televisão e rádio, e ficará acumulado nos dias em que não houver denúncias comprovadas, em um sistema semelhante ao de loterias como a Sena. A associação, que vai gastar inicialmente US$1 milhão (CR$115,4 milhões) neste e em outros projetos, foi montada pelo empresário Sérgio Quintella, hoje ministro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que teve um filho sequestrado no ano passado. O movimento e o sistema de prêmios poderão ser estendidos a São Paulo, mas ainda não está definido. Quintella, presidente do conselho da associação, conta que os prêmios serão oferecidos em programas diários de televisão e de rádio, de três minutos. Em cada programa será apresentado um crime específico, escolhido em conjunto pelas Polícias Civil e Federal, para denúncias. Sequestros e apreensão de grandes volumes de cocaína não serão enfocados nos programas. "A população identifica esses crimes como algo elitista, por isso daremos preferência ao crime que atinge diretamente a população, como o do vendedor de bala que distribui tóxicos, o do assaltante de ônibus e outros desse tipo", explica. Pelo sistema da associação, o denunciante dará as informações pelo telefone e vai se identificar apenas com os três últimos números da carteira de identidade, que passarão a ser a sua senha. Se o resultado for positivo, ele usará a mesma senha para receber o dinheiro. O sistema de acordo com Quintella, deu certo em Chicago (EUA), em Londres (Inglaterra) e em cidades canadenses. A associação fez convênio com as Polícias Federal e Civil e vai ajudá-las fornecendo equipamentos para a montagem de retratos falados e de identificação digital (O ESP).