A REVISÃO DA CONSTITUIÇÃO

O presidente da Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), recuou na ameaça de "tumultuar" a revisão constitucional. Ele põe hoje em votação o projeto que marca o início da revisão para o dia seis de outubro. A disputa pelo segundo cargo mais importante da revisão, o de relator-geral, foi adiada para esse dia. A revisão será presidida pelo presidente do Congresso Nacional, senador Humberto Lucena (PMDB-PB). Ontem, os líderes dos partidos que estão contra a revisão-- PT, PDT, PSB e PC do B-- se reuniram para montar uma estratégia de obstrução: primeiro vão evitar o número necessário de parlamentares para a votação de hoje e, se não forem bem-sucedidos, vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). A perspectiva do PMDB acumular a presidência e a relatoria da revisão constitucional provocou a rearticulação do "Centrão"-- bloco conservador que atuou na Constituinte de 1987/1988. O presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira, foi buscar ontem o apoio dos 10 partidos que o elegeram no início do ano para assegurar o cargo de relator ao PFL e a instalação da assembléia revisora no dia seis de outubro. Inocêncio afirmou que se o cronograma inicial não for cumprido a reforma está ameaçada: "Pode não sair revisão alguma". Em Manaus (AM), os 130 participantes da 2a. Semana Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgaram ontem a "Carta de Manaus", na qual avaliam como "verdadeiro golpe" a revisão constitucional (FSP) (O ESP).