HORAS-EXTRAS IMPEDEM NOVOS EMPREGOS

O abuso na utilização de horas-extras pela indústria impede, somente no Estado de São Paulo, a contratação de mais de 114 mil empregados. Os metalúrgicos da Força Sindical entregaram ontem ao ministro do Trabalho, Walter Barelli, um estudo sobre essa utilização desenfreada da hora-extra pedindo o fim dessa prática. No documento, baseado em cálculos da FIESP e do DIEESE, o número de horas trabalhadas na produção aumentou 16,6% em julho, em relação a dezembro de 92. O estudo encomendado pelos sindicalistas revela que dos 1,717 milhão de trabalhadores na indústria, 44,4% realizaram hora-extra em julho, ou seja, 25.157.484 horas, equivalente a 114.352 empregos que deixaram de ser criados. O nível de atividade nas indústrias aumentou 43,3%, em relação a dezembro e o nível de emprego cresceu apenas 0,4% no mesmo período. O estudo destaca a categoria dos metalúrgicos com cerca de oito mil empresas e 350 mil trabalhadores. Em agosto, no setor, somente na capital paulista, 21 mil novos empregos foram barrados em função das horas-extras. Cerca de 32% dos metalúrgicos trabalharam uma hora e meia além da jornada normal diária de segunda a sexta-feira e 15% realizaram mais cinco horas semanais durante sábados e domingos. Sobre o abuso na utilização de horas-extras pelas empresas, Walter Barelli afirmou que "tem que ser uma coisa extraordinária e não uma rotina como algumas empresas fazem hoje". O Ministério vai intensificar a fiscalização para coibir abusos e multará as empresas que explorarem os empregados. O desemprego na cidade de São Paulo registrou uma ligeira redução em agosto-- quarto mês consecutivo de queda--, ficando em 14,3% contra 14,8% em julho. De acordo com levantamento da Fundação SEADE/DIEESE, isso significa que em agosto 1.134.000 pessoas estavam desempregadas na capital paulista. A pesquisa revela que no mês passado foram gerados 38 mil novos postos de trabalho, o que corresponde a um aumento de 0,6% no total de ocupados na cidade, estimado em 6.798.000 pessoas (JB).