Pessoas que moram nas ruas de São Paulo (capital) não têm uma idéia exata do que seja a campanha da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Eles se dizem cansados de movimentos que distribuem alimentos mas não conseguem resolver o problema da miséria. Essas pessoas-- que seriam os principais beneficiados pela campanha-- pedem a criação de mais empregos, pois querem conseguir uma moradia e poder escolher a comida. Esses são os resultados de um levantamento feito por cinco entidades junto a cerca de 200 moradores de rua. A pesquisa foi realizada através de dinâmicas de grupo, feitas em quatro casas de convivência da cidade de São Paulo. As casas, mantidas por essas entidades em convênio com a prefeitura, são utilizadas pelos moradores de rua para tomar banho, trocar roupa e conversar. Eles não dormem nesses locais. A intenção das entidades envolvidas-- Associação Evangélica Beneficiente, Igreja Metodista Unida da Alemanha, Fraternidade Povo da Rua, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e Pastoral de Rua da Arquidiocese de São Paulo-- era mostrar o que essas pessoas acham da fome e da atual campanha contra a miséria. Os resultados serão discutidos no seminário O Combate à Fome e a Construção da Cidadania, que será realizado nos dias 30 de setembro e 1o. e dois de outubro, no Parlamento Latino- Americano, em São Paulo O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE e coordenador da campanha, diz que os moradores de rua de São Paulo tem razões para desconfiar da campanha. "Se eu estivesse nessa situação, também desconfiaria". Para ele, a sociedade tem demonstrado Incapacidade" para resolver o problema da miséria. "Porque eles confiariam? A visão deles é realista, concreta", diz Betinho, que concorda com argumentos dos moradores de rua, cansados das campanhas que prometem acabar com a miséria. Betinho concorda também com a reivindicação dos moradores de rua por mais empregos. Ele diz que a reivindicação de mais postos de trabalho será a "segunda onda da campanha". Ele afirma que desde o início do movimento tem falado sobre a importância de se criar mais empregos (FSP).