O Cere (Centro de Reclusão de Menores) de Brasília (DF) mantém 78 meninos e meninas em condições subumanas. A cela de triagem estava com cinco rapazes no último dia 16. Por baixo da porta corria urina-- a cela não tem banheiro. Lá dentro, apenas um colchão inteiro e outro despedaçado, com marcas de sangue. A capacidade do Cere é para 36 internos. A superlotação impede que se faça a separação por idade e tipo de delito. Convivem, nas mesmas celas, garotos de 13 com outros de 18 anos, acusados de furto com acusados de homicídio. Entre eles, pelo menos um portador de AIDS indentificado, sem nenhum tipo de cuidado especial. A promiscuidade e os abusos sexuais se incorporam à rotina do Cere. A Justiça, atendendo a uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público, determinou em agosto do ano passado que o governo do DF construísse um novo centro de reclusão, no prazo de seis meses. O governo, que está gastando US$600 milhões na construção de um metrô cuja necessidade é questionada, preferiu recorrer da sentença (FSP).