MINISTROS PRIVILEGIAM ESTADOS DE ORIGEM

A oito meses do início da campanha eleitoral, a máquina pública federal já privilegia aliados na distribuição de verbas para estados e municípios. É o que registra o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). A Bahia, por exemplo, recebeu a maior verba do Ministério do Bem-Estar Social, comandado pelo baiano Jutahy Magalhães Júnior (PSDB): cerca de CR$1,4 bilhão do início do ano até nove de setembro. Na lista do Siafi, a Paraíba está em segundo lugar, com CR$1,3 bilhão, e o Ceará em terceiro, com CR$1,1 bilhão. Mas o ministro afirma que o campeão é a Paraíba, para onde já teriam sido destinado CR$1,5 bilhão. Pelos dados do Siafi, a maioria dos estados não recebeu a metade do que foi enviado à Bahia. De acordo com Jutahy, cotado como candidato ao goeverno baiano, este "desequilíbrio" não foi provocado por ele, mas pelo presidente Itamar Franco. No Ministério da Integração Regional, comandado pelo maranhense Alexandre Costa (PFL), a situação se repete: seu estado natal encabeça a lista das liberações. Aliado do ex-presidente José Sarney-- cuja filha, a deputada Roseana Sarney (PFL), é candidata ao governo do Maranhão--, Costa já repassou quase CR$900 milhões para a região por meio das contas de despesas correntes e investimentos. O ministério também firmou um convênio com o governo do Maranhão em 14 de julho, autorizando a transferência de CR$960 milhões para o Programa de Apoio ao Pequeno Produtor. Apesar de contestar a lista do Siafi, o ministério não informou quanto liberou para cada estado: limitou-se a apresentar um demonstrativo de dotações prioritárias em que Minas Gerais, terra de Itamar, está em primeiro lugar, com CR$2,9 bilhões. O Maranhão aparece em nono lugar, com CR$1,4 bilhão. Pelo levantamento, Minas é a campeã no Ministério da Educação, dirigido pelo juizforano Murílio Hingel. O estado foi privilegiado na distribuição de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação: mais de CR$702 milhões foram para cidades mineiras, com destaque para Belo Horizonte e Juiz de Fora. Esse valor é duas vezes superior ao destinado ao Rio de Janeiro e cinco vezes maior que o reservado a São Paulo, que aparece mal em todas as listas (O ESP).