AS EMPRESAS E O MERCOSUL

As empresas brasileiras iniciarão o próximo ano com uma certeza: terão de correr contra o relógio para se preparar para o MERCOSUL. Previsto para 1995, a formação do bloco econômico exigirá do setor privado uma competitividade maior do que a existente hoje. Um desafio que deve, na avaliação de Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia), ampliar não apenas os investimentos em programas de qualidade e produtividade como também as parcerias. "Para se integrar ao MERCOSUL, as empresas precisarão desenvolver produtos de melhor qualidade, oferecer preços competitivos e agilizar os processos de distribuição. Em muitos casos, a saída será partir para associações", disse. Para adotar esse figurino, o setor alimentício, que faturou US$42,5 bilhões e respondeu por 10% do PIB no ano passado, deverá ampliar o volume de investimentos no próximo ano. Segundo projeção do presidente da Abia, Edmundo Klotz, as indústrias, em 1994, poderão aplicar até 20% do faturamento destinados a elevar a sua competitividade. A fatia prevista para o ano de 1993 é inferior a 15%. Alguns segmentos do setor alimentício terão que desembolsar recursos mais gordos para se ajustar ao MERCOSUL. É o caso das empresas do ramo agropecuário. A Argentina é forte concorrente do Brasil na produção de tribo, leite e soja. Beneficiados pelo clima mais frio, por um controle de qualidade rigoroso e, até, por impostos mais baixos, esses produtos têm, na Argentina, preços mais baixos do que no Brasil. "Se essas empresas não partirem para um processo de adaptação, acabarão morrendo", disse Ribeiro (O Globo).