NOVO SUICÍDIO DE ÍNDIO É O 118o. CASO EM QUATRO ANOS

No último dia 28, o índio Alfredo Gonçalves, de 54 anos, enrolou uma corda no pescoço e enforcou-se. Este é o mais recente episódio de um pesadelo de morte que os índios guaranis e caiovas continuam vivendo na reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul. De acordo com os caciques, nos últimos quatro anos foram registradas 118 mortes de índios por suicídio. Segundo eles, a praga do auto-extermínio não atinge mais preferencialmente os jovens, mas homens e mulheres de todas as idades. Vivemos uma situação de absoluto desespero e estamos esquecidos por
75795 todos, pela imprensa, pelos políticos, pelo governo. Boa parte das índias
75795 são prostituídas pelos brancos e trocam o corpo por um pouco de comida ou
75795 dinheiro. O suicídio ainda é alternativa para quem vive o impacto da
75795 civilização forçada, denuncia o índio guarani Ivo de Souza, irmão do líder Marçal de Souza, assassinado em 1983. Ivo afirma que o caso do índio Gonçalves é modelar para explicar o motivo dos suicídios. Gonçalves tinha brigado com a mulher e fora levado à delegacia. Lá, teria sido humilhado pelos policiais. Havia uma intimação para que comparecesse de novo à delegacia no dia seguinte a sua morte. De acordo com Ivo, o índio preferiu o suicídio a submeter-se a um interrogatório. Na reserva de Dourados vivem nove mil índios, entre guaranis, caiovas e terenas, em uma área de 3.600 hectares. Segundo Ivo, o estupro e o abuso sexual dos quais são vítimas as mulheres se constituem num dos principais motivos para os suicídios, tanto por parte das vítimas diretas quanto por parte dos pais e maridos humilhados. Ele oferece como exemplo de desrespeito o caso de seu irmão. O suposto mandante do assassinato, o fazendeiro Líbero Monteiro, foi absolvido por falta de provas (O Globo).