MINISTRO ANTECIPARÁ MEDIDAS ECONÔMICAS

O líder do governo na Câmara, deputado Roberto Freire (PPS-PE), disse ontem, no Rio de Janeiro, que o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, está antecipando o cronograma de medidas econômicas na tentativa de reduzir a inflação até o final do ano, mas isto não significa a aceitação de "ultimatos ou prazos fatais". Segundo ele, "se a inflação não for reduzida dentro desse prazo, poderá criar uma frustração muito grande". Freire disse que os estudos para a unificação das taxas de câmbio, anunciadas pelo ministro, podem ser vistos como uma antecipação do cronograma para reduzir a inflação até dezembro, "mas nunca com prazos fixos, para não reeditarmos a história do único tiro do ex-presidente Fernando Collor". Os principais líderes políticos e economistas com trânsito no Ministério da Fazenda estão convencidos de que dificilmente o ministro Fernando Henrique Cardoso deixará de adotar algum tipo de dolarização da economia. A unificação do câmbio, anunciada por Cardoso, deu um novo indício que aponta nessa direção. A principal questão na área política e técnica, agora, é saber qual a fórmula que poderá ser adotada pelo governo. Se o choque for efetivamente adotado, no entanto, será diferente dos anteriores: respeitará as relações contratuais, não conterá confiscos e, provavelmente, não incluirá o congelamento de preços. Talvez por isso mesmo o presidente Itamar Franco e o ministro insistam em dizer que não haverá choque. Os economistas preferem utilizar eufemismos para falar sobre o que desejam: para eles, é preciso achar uma "âncora para os valores nominais" ou "âncoras que coordenem as expectativas". Em outras palavras, a questão central agora é definir um referencial monetário para uma economia com inflação crônica como a brasileira. Os economistas informam que existem quatro alternativas de dolarização da economia: -- A substituição completa da moeda nacional pelo dólar, que passa a circular livremente na economia, como fez o Panamá, país sem moeda própria. -- A simples fixação de uma paridade entre a moeda nacional e o dólar, com garantia de plena conversibilidade. -- A opção adotada pela Argentina, que fixou a taxa de câmbio, garantiu a conversibilidade e autorizou a circulação concomitante do dólar e o peso. -- Finalmente, como defende o economista André Lara Resende, atual negociador da dívida externa brasileira, a criação de um órgão emissor independente, que garanta a conversibilidade da moeda a ser emitida a uma taxa de câmbio fixa Na unificação, o BC eliminaria as barreiras entre o mercado do dólar comercial-- permitido hoje apenas para exportadores, importadores e empréstimos externo-- e o dólar flutuante, onde são feitos negócios com dólar-turismo e ouro. Surgiria, assim, um câmbio único no país para as operações legais. Continuaria existindo o mercado ilegal de dólar paralelo, onde circula os recursos de caixa dois de empresas e pessoas. Com a unificação, a diferença de preço entre o dólar comercial e o flutuante, normalmente de 10%, desapareceria (JC) (O ESP).