A confirmação, pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, de que as cotações dos câmbios comercial e turismo seriam unificadas, e as informações que vazaram do próprio Ministério, de que deverão ser baixadas novas medidas econômicas antes mesmo do ajuste fiscal, provocaram ontem grande agitação no mercado financeiro. A procura por dólar explodiu. Os bancos estimam que o Banco Central tenha colocado US$1,6 bilhão no mercado. As Bolsas de Valores fecharam em alta: 8,7% em São Paulo e 8,5% no Rio de Janeiro. O dólar paralelo manteve a cotação de anteontem, de CR$120,00 para venda, enquanto o ouro, que teve fortes oscilações, fechou o dia a CR$1.340,00 o grama, com queda de 1,18%. A partir da segunda quinzena de outubro, no máximo, o câmbio estará unificado, e não haverá mais distinção entre as cotações do dólar comercial e do dólar-turismo ou flutuante, disse o ministro da Fazenda. "O mercado de câmbio já está maduro para a unificação. Será uma demonstração de que a economia está no caminho da estabilidade", afirmou Cardoso. O diretor da Área Internacional do BC, Gustavo Franco, informou, porém, que ainda não se cogita de liberar totalmente o câmbio e que a estratégia do governo é a de reduzir progressivamente o ágio entre as diversas cotações do dólar. A unificação das taxas, acompanhada pela liberalização do mercado de dólar, é considerada por economistas como pré-condição para qualquer tentativa de uso do câmbio para desindexar a economia. Seria essencial, por exemplo, para a adoção de alternativas analisadas pela equipe econômica, o mecanismo de duas moedas, uma delas vinculada ao dólar. O BC adotou, nos últimos dois anos, uma série de medidas de liberalização visando à unificação das taxas de câmbio, mas não cogita, no momento, da liberalização geral no setor. A unificação, segundo técnicos do BC, não teria maiores dificuldades, sobretudo porque a diferença das cotações nos dois mercados (comercial e turismo) é muito pequena-- cerca de 8%. Na avaliação de especialistas em câmbio, a unificação não teria nenhum efeito direto sobre a inflação ou sobre as contas públicas. Apenas simplificaria as coisas para o governo, caso a equipe econômica venha a adotar uma âncora cambial para reduzir a inflação. O governo já tem prontas várias medidas para desregulamentar o câmbio, como o fim do limite de US$4 mil para compra de moeda estrangeira por turista brasileiro em viagem ao exterior. Também devem cair os limites para remessa de dólares ao exterior para manutenção de pessoa física e tratamentos de saúde. Outra medida que deve ser adotada é a permissão para que os exportadores mantenham nos bancos contas em moeda estrangeira, quando a economia se estabilizar (O Globo) (FSP) (JB).