O Comitê Europeu pela Demarcação das Terras Indígenas Brasileiras-- que reúne cerca de 70 organizações do mundo inteiro de defesa dos direitos humanos-- anunciou que está disposto a iniciar uma campanha para levantar no exterior o dinheiro necessário à demarcação das terras indígenas no Brasil, caso o governo insista na alegação de falta de verbas. Mas com uma condição: o dinheiro, administrado pelo governo brasileiro, ficaria sob controle das organizações-membros do comitê, "para que seja de fato usado na demarcação das terras e não pare nas mãos de PCs (referindo-se a Paulo César Farias) da vida", disse o integrante do comitê, Epaminondas Rodrigues, que trabalha na agência da ONU de acolhimento a refugiados políticos em Genebra (Suíça). Ele disse que essa idéia já foi transmitida por ele ao embaixador brasileiro Gilberto Sabóia, depois que este alegou dificuldades de verbas para demarcação das terras num encontro com o comitê. O comitê recolheu assinaturas de 28 mil pessoas de vários continentes em apoio aos índios brasileiros. O documento já foi entregue ao presidente Itamar Franco. Ontem, o comitê mandou uma carta ao Planalto lembrando ao presidente que a proteção aos índios e a demarcação de suas terras estão previstas na Constituição brasileira (O Globo).