O presidente da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Francisco Urbano, evitou a polêmica com o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, amenizando sua posição em defesa de saques organizados na região Nordeste, como havia declarado ontem. Urbano repetiu, porém, antes e depois do encontro com o ministro, em Brasília (DF), que os líderes dos sindicatos rurais da região devem orientar a população faminta e organizar a busca de alimentos, para evitar violência e confronto com a polícia. Segundo o ministro da Justiça, Urbano não falou em saques organizados, mas numa forma de buscar alimentos dentro de um espírito de reivindicação ordeira e legal, pressionando as autoridades locais. "Parece que tudo é uma questão de semântica", afirmou Corrêa. Para Francisco Urbano, saque no Nordeste é a busca de alimento para matar a fome, mas não explicou como os 12 milhões de nordestinos famintos devem fazer isso. "Eles fazem saques há muitos anos, o que estamos defendendo agora é que isso seja feito de forma ordeira, para evitar confrontos", afirmou. "O que Urbano está querendo é provocar um fato para chamar a atenção para o problema da fome no Nordeste e está conseguindo, porque nós vamos discutir amplamente o Programa de Ação Permanente para a região que ele nos apresentou", disse o ministro. Corrêa afirmou que não vai processar o presidente da CONTAG por causa da sua posição e marcou um novo encontro com ele para a próxima semana. A burocracia atrasará em 30 dias a distribuição de 150 toneladas de comida a 1,5 milhão de famílias nordestinas que devem ser beneficiadas pelo plano de combate à fome. A distribuição, originalmente prevista para o próximo dia 21, foi adiada porque os técnicos do governo ainda não conseguiram redigir a exposição de motivos que justificará a medida provisória do presidente Itamar Franco (O ESP) (O Globo).