O segundo maior exportador de frutas tropicais do Brasil, líder no mercado de melões na Inglaterra e um dos mais bem-sucedidos empresários do Nordeste, Manoel Dantas Barreto Filho, presidente da Frunorte, do Município de Assu (RN), denunciou a existência de uma intrincada rede de corrupção envolvida com a Indústria da seca". A acusação mais grave sobre a atuação do "cartel da miséria" atinge em cheio a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). "Se não der propina para os cargos de direção, não se consegue aprovação de projetos de financiamento na SUDENE". No rol das falcatruas enumeradas pelo empresário estão desde financiamentos de campanhas eleitorais com dinheiro público destinado aos flagelados até o pagamento de propinas a diretores de órgãos federais de combate à miséria e estiagem. Ao mesmo tempo em que a miséria é humilhante, ela alça muita gente ao
75762 poder, comentou o empresário. Para ele, o Estado estimula o assistencialismo e o paternalismo no Nordeste quando estimula as frentes de trabalho, as cestas básicas, perdão de dívidas e a distribuição de água. "Em nenhum lugar do mundo se fez um órgão para cuidar de um fenômeno natural, mas aqui existe o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS)", criticou. Para o presidente da Frunorte, é urgente o recolhimento de impostos e de direitos trabalhistas, que hoje praticamente inexistem no meio empresarial nordestino. "Os grandes sonegadores estão nesta região", afirmou. O empresário também atacou o desvio e a má aplicação dos recursos vindos por meio de bancos estaduais, classificando-os como Instituições vergonhosas" e "motores eleitorais" que perpetuam o clientelismo político e a pobreza na região (O ESP).