PM APONTA OS CHACINADORES

Um soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro que foi convocado para participar da chacina na favela de Vigário Geral, mas não aceitou, já forneceu os nomes de diversos participantes da matança, segundo agentes do Serviço Reservado da PM. Os 17 soldados e o capitão Pirassol Ruas, que estão presos sob a suspeita de participação no crime, segundo o agente, não estão envolvidos nesse episódio. Outros sete soldados já estariam presos, incomunicáveis, e a polícia está buscando agentes civis, guardas penitenciários e alcaguetes que entraram na favela e mataram 21 moradores, um dia após a morte de quatro PMs. O massacre de Vigário Geral, de acordo com um relatório que está sendo preparado pelas polícias Civil e Militar, era do conhecimento de muitos policiais, que foram aconselhados a não aparecer na favela. Segundo as mesmas fontes do Serviço Reservado da PM, essa testemunha já prestou até depoimento diante de um juiz na peça processual chamada Produção Antecipada de Provas, que é feita sempre que há risco para a testemunha. Essa produção antecipada de provas é feita para que um juiz tenha todas as informações sobre o caso e para que a testemunha fique protegida, já que agora não adianta mais intimidá-la. O depoimento da testemunha seria a explicação da mudança de comportamento dos envolvidos nas investigações. Há praticamente uma semana que os delegados e coronéis que cuidam do caso não dão entrevistas. O relatório que está sendo preparado sobre a chacina vai indicar a existência nas polícias Civil e Militar, bem como na guarda penitenciária, de uma verdadeira polícia paralela, que não aceita ordens superiores e funciona praticamente com um comando independente. Esses policiais-- entre os quais estão delegados e coronéis-- não aceitam a política de respeito aos direitos humanos que o governo do estado tenta impor e atuam contra traficantes e ladrões de todos os tipos, praticando extorsão. Fazem parte desse grupo, ainda, ex-policiais e alcaguetes (JC) (O ESP).