Foi divulgado ontem, pelo Palácio do Planalto, o relatório preparado pelo conselho de administração da TELEBRÁS, reunido no dia oito de setembro por determinação do presidente Itamar Franco, para averiguar o escândalo na operação de captação de recursos externos entregue à corretora norte- americana Merril Lynch. Além de recomendar o cancelamento das operações financeiras externas em fase de negociação, o conselho enfatiza a necessidade de captação de US$880 milhões para dar continuidade ao programa de investimentos da empresa em 1993. Ao recomendar a suspensão das duas operações de captação de recursos externos em fase de negociação, o conselho assinalou que, até o momento, não foram encontrados "elementos consubstanciadores" das denúncias de tentativa de suborno do ex-diretor financeiro da empresa Mauro Brito à corretora Merril Lynch. Uma das operações de captação de recursos a ser cancelada será com a corretora Nomura, a maior do Japão e do mundo, que colocaria 20 bilhões de ienes-- ou US$190 milhões-- de bônus da TELEBRÁS no mercado japonês. O relatório faz questão de ressaltar que as operações de captações externas da TELEBRÁS vêm correndo de modo regular e atendendo às diversas fases de tramitação regulamentadas pelo governo federal. O relatório também considera normal a primeira operação de captação por meio de bônus-- primeira série de Eurobonds--, feita em 1991 pela Merril Lynch, na medida em que a comissão elevada de 5,8% estaria justificando "o pionerismo da operação" (GM).