DENÚNCIA ASSOCIA TRÁFICO DE CRIANÇAS A TRANSPLANTES

O Parlamento Europeu, em Estrasburgo, acaba de examinar um documento assustador, em seus debates sobre transplante de órgãos, apresentado pelo médico e deputado francês Léon Schwartzenberg, ex-ministro da Saúde da França. Ele denuncia a chegada de quatro mil crianças brasileiras à Itália entre 1988 e 1992 para serem adotadas, mas a polícia italiana teria encontrado o rastro de apenas mil desses menores. Os outros três mil teriam desaparecido. Os juízes italianos teriam então concluído que a Camorra poderia ter enviado crianças para clínicas clandestinas no México, na Tailândia e mesmo na Europa, para ali extrair todos seus órgãos. Segundo o deputado francês, essas práticas horrendas aconteceriam sobretudo na América Latina, em razão da penúria de órgãos para transplante. Indignado, o ministro da Justiça da Itália, Giovanni Conso, desmentiu imediatamente a denúncia, dizendo ser totalmente infundada. "As crianças provenientes do Brasil, que deram entrada oficialmente na Itália para fins de adoção, de 1988 a 1992, foram 3.702, assim repartidas: 786, 950, 840, 608 e 518", explicou Conso. E garantiu que todas elas estão com suas famílias adotivas. O documento do deputado conta ainda outros casos na América Latina: na Argentina, 400 internados num manicômio de Buenos Aires foram sacrificados para o aproveitamento de sangue e órgãos. Na Colômbia, 40 corpos teriam sido descobertos no anfiteatro da faculdade de medicina, e mendigos eram assassinados por policiais com golpes de taco de beisebol, para em seguida retirar seus órgãos e vendê-los. Na Guatemala, segundo a polícia, enviam-se crianças para os EUA sob o pretexto de elas serem adotadas, quando na verdade elas são vendidas, órgão por órgão, por cerca de US$20 mil (por criança). Em Honduras, crianças deficientes são adotadas e em seguida vendidas "peça por peça". Em entrevista à televisão italiana, Schwartzenberg corrigiu ontem, em parte, as declarações a ele atribuídas. "Nunca disse que a Itália está no centro do tráfico de órgãos de crianças", afirmou. "Quem está no centro são os países em desenvolvimento da América Latina" (O ESP).