PREFEITOS FAZEM "MARCHA DA SECA E DA FOME"

Os prefeitos do Nordeste, com apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), promovem hoje em Brasília (DF) a Marcha da seca e da fome sobre o Congresso Nacional para pressionar o governo federal a manter até abril de 1994 o Programa das Frentes Produtivas de Trabalho. Há 1,5 milhão de trabalhadores alistados no programa, que paga US$17 por mês a cada agricultor-- os prefeitos querem ampliar o pagamento para US$50 por três semanas de trabalho. Os prefeitos e sindicalistas tentarão uma audiência com o presidente Itamar Franco para que ele dê garantias de cumprimento à promessa do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, de destinar US$60 milhões da primeira semana de arrecadação do IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira) para a seca no Nordeste. Os últimos recursos para as Frentes Produtivas autorizados pelo governo federal-- CR$6 bilhões-- destinam-se ao programa em agosto e setembro. A partir de outubro não há definição de recursos. O presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Amece), Carlile Lavor, disse que "os deputados nordestinos ficam com vergonha de falar da seca". Vai ser entregue um documento aos congressistas com dados sobre a calamidade (JB).