MINISTRO VAI DESINDEXAR ECONOMIA

O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, afirmou ontem que vai desindexar a economia, por meio de um programa que começa com o ajuste fiscal e passa pela estabilização da moeda. Mas garantiu que só tomará medidas depois de uma discussão ampla no Congresso Nacional. "Não vamos violentar o mercado", disse. "Não será preciso especular sobre o Dia D, pois não vai haver", acrescentou. O ministro reafirmou seu compromisso de não fazer dolarização, prefixação ou congelamento. Cardoso prometeu que, a partir de outubro, tarifas e serviços públicos, como luz e telefones, passarão a ter aumentos inferiores à inflação. O ministro antecipou uma única medida nova: o envio ao Congresso de um projeto que permitirá ao Banco Central liquidar bancos federais que desrespeitarem as regras de austeridade do governo. O ministro da Fazenda anunciou, ainda, que o governo implantará gradativamente o câmbio único, com livre flutuação, sem interferência do BC. A medida significa o fim dos mercados paralelo, comercial e turismo, com as cotações do dólar norte-americano, no começo, provavelmente convergindo para a taxa mais alta. Além disso, a medida abre caminho para a criação de uma âncora cambial ou para a dolarização formal ou informal da economia. Segundo a economista Clarice Pechman, o efeito imediato da medida será reduzir a expectativa inflacionária. Fernando Henrique Cardoso fez um balanço positivo dos primeiros três meses de execução do Plano de Ação Imediata (PAI). Destacou o aumento da arrecadação tributária, em função do combate à sonegação, o corte de despesas no orçamento de 1993, o refinanciamento das dívidas dos estados com a União, aumento do controle do BC sobre os bancos oficiais, a redução do estoque e alongamento do perfil da dívida mobiliária, e manutenção e aceleração iminente do programa de privatização. Sobre a fome, o ministro afirmou: "A população brasileira precisa de três coisas: comida, emprego e combate à carestia. Esses pontos não serão esquecidos". Segundo ele, o desemprego "será combatido pela sustentação da atividade econômica. Para combater a fome, o governo está liberando os estoques de carne e milho e está atento ao abastecimento" (O ESP) (O Globo) (JB) (O Dia).