A CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) começa a traçar dentro de um mês o seu retrato ambiental, que pretende concluir até o final deste ano. Equipes multidisciplinares de cerca de 300 técnicos preparam-se para fazer um amplo trabalho de auditoria ambiental que vai abranger os grandes projetos de mineração, as duas ferrovias (Carajás e Vitória-Minas), dois portos (Ponta da Madeira e Tubarão), além dos complexos industriais das áreas de pelotização, papel e celulose e alumínio. O trabalho de preparação das auditorias começou há um ano, quando a empresa percebeu sinais claros emitidos por seus clientes na Europa e nos EUA de que precisava começar a explicar muito bem o que está fazendo com o meio ambiente, principalmente para produzir papel e celulose e o ferro de Carajás. Por enquanto, a Vale não chegou a enfrentar nenhuma barreira comercial motivada por alguma exigência ambiental não cumprida. Mas tem sido obrigada a municiar-se de informações sobre a situação ambiental tanto para satisfazer os clientes como as instituições financeiras internacionais. Nenhuma operação financeira internacional é feita sem análise do efeito ambiental do projeto envolvido. Informações precisas sobre a situação ambiental de suas atividades estão sendo especialmente importantes neste momento em que a Vale conclui com o BIRD (Banco Mundial) a negociação de um empréstimo de US$55 milhões em condições extremamente vantajosas, segundo o gerente-geral de meio ambienta da companhia, Maurício Reis. Os recursos serão destinados a projetos de controle ambiental das atividades da Vale no país inteiro e terão contrapartida de igual valor da companhia (GM).