A AMEAÇA DA BARBÁRIE

A inexistência de uma política governamental que dê prioridade à questão social, somada à retirada do Estado da economia imposta pelo neoliberalismo, vai conduzir o país à barbárie, com o agravamento da fome e da miséria. A opinião é do economista Carlos Lessa, do PSDB, que defendeu a elaboração de um projeto nacional voltado para o mercado interno e com prioridade social ao participar ontem, no Rio de Janeiro (capital), do encontro que debate a "Cultura da Fome". O senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ) e Francisco Julião, também do PDT, foram os outros participantes. Darcy fez uma análise antropológica para mostrar que a cultura da época colonial ainda permanece intacta no Brasil. Julião, que antes do golpe militar de 1964 comandava o movimento das Ligas Camponesas, disse que a saída para o problema da fome e da miséria é uma reforma agrária radical. Para Lessa, no horizonte imediato, "é necessário sim praticar o assistencialismo" que o programa Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE, propõe e que tem recebido críticas de setores da esquerda. "O argumento é que, ao invés de dar o peixe, você tem que ensinar a pescar. Mas se a pessoa não tem a vara nem tempo para esperar o peixe, não tem jeito. Você tem de dar o peixe", comparou o economista do PSDB (JB).