Meninos de rua de Maceió (AL) denunciaram ontem meninos de família que formam batalhões de guarda mirim na periferia da capital e se unem a soldados da Polícia Militar de Alagoas para espancá-los. A denúncia foi feita pelas próprias vítimas à Comissão Zumbi dos Palmares de Defesa da Criança e do Adolescente. A entidade disse que só em setembro 10 crianças foram assassinadas em Alagoas, aumentando para 82 o número de menores executados em 1993 por grupos de extermínio no estado. Segundo informações de nove meninos de rua, os garotos do batalhão mirim, a pretexto de evitar furtos, prendem crianças que cheiram cola e pedem esmolas, levando-as para as delegacias, onde são espancadas. "Nas delegacias, eles nos batem, abusam sexualmente das meninas, puxam com força e cortam o cabelo dos meninos com tesouras cegas e ainda nos ameaçam de morte caso alguém denuncie isso tudo à polícia", afirmou ontem M., de 14 anos. O batalhão mirim é uma organização paramilitar fundada pela primeira-dama do estado, Denilma Bulhões (O Globo).