A DEGRADAÇÃO EM RESERVAS INDÍGENAS

A degradação ambiental já atingiu pelo menos a metade das 532 áreas indígenas do Brasil. Na área yanomami, há montes de lixo deixados por garimpeiros. A exploração indiscriminada de madeira na região dos caiapós, no Pará, e dos nhambiquaras, em Mato Grosso, provoca grandes desmatamentos. Nas áreas onde há garimpo, os rios estão contaminados por mercúrio ou assoreados, segundo estudo do Departamento de Patrimônio Indígena da FUNAI, que aponta mais de 300 problemas ambientais nas áreas indígenas. De acordo com o documento, os índios disputam suas áreas com garimentos, madeireiros, fazendeiros e posseiros. O relatório será entregue nos próximos dias à Procuradoria Geral da República para que sejam tomadas as providências judiciais. O estudo da FUNAI considera ilegal a construção da BR-307, ligando as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Cucu, no Amazonas, porque a estrada passará dentro da área yanomami. Para cortar uma área indígena, é preciso autorização do Congresso Nacional. Mesmo assim, já foram construídos 30 km. Os impactos ambientais na área dos yanomamis vão desde a destruição da flora e da fauna dos rios e igarapés, até o acúmulo de grande quantidade de lixo nas proximidades dos acampamentos de garimpeiros, agravando a poluição das águas e a incidência de doenças. Na região da Amazônia Legal, o garimpo e a extração ilegal de madeira são os principais problemas das comunidades indígenas. No sul do Pará, a área dos caiapós foi invadida em 1982 por garimpeiros e madeireiros e, conforme o relatório, apresenta assoreamento dos rios e forte estratificação social-- que apareceu depois de um contato maior com os mineradores. Outra consequência do convício de índios e garimpeiros é o abandono das tradições indígenas. No Rio Grande do Sul, o relatório mostra a utilização de agrotóxicos nas áreas dos índios caigangues e guaranis. No Mato Grosso, os índios nhambiquaras lutavam até há pouco contra uma mineradora que permitiu a entrada de dois mil garimpeiros na região, provocando enormes estragos ambientais. Por ordem judicial, os garimpeiros começaram a ser retirados e a mineradora, graças a uma ação civil pública encaminhada pelo Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), a recuperar a área degradada pelo garimpo. O NDI tem pelo menos 15 ações na Justiça contra instituições que exploram ilegalmente minérios e madeira em área indígena (O ESP).