POLICIAIS PROIBIDOS DE USAR CAPUZES

O uso de capuz por policiais civis e militares do Rio de Janeiro foi proibido ontem pelo vice-governador e secretário de Justiça e Polícia Civil, Nilo Batista, para dificultar a ação dos grupos de extermínio formados por policiais e desestimular a atuação dos alcaguetes-- geralmente ex-policiais e agentes penitenciários-- nas operações de rua e nas investigações. A decisão do vice-governador foi tomada por causa do grande número de capuzes apreendidos nas casas e automóveis de policiais. Os integrantes do grupo de extermínio que invadiu a favela de Vigário Geral e matou 21 pessoas usavam capuzes, o que tornou praticamente impossível a sua identificação. O policial que for apanhado com capuz será indiciado em inquérito. A Escola Superior de Guerra (ESG) vai estudar a violência do Rio, em consequência da tensão social na cidade, refletida, especialmente, pelas chacinas de Acari, Candelária e Vigário Geral. Para o coordenador da Divisão Psicossocial da ESG, sociólogo Paulo Cesar Milani, "há um verdadeiro apartheid social no Rio de Janeiro, causado pela marginalização de alguns segmentos da população". O delegado Pedro Paulo de Abreu, da Cinap (Coordenadoria de Inteligência de Apoio Policial), foi afastado ontem e transferido para uma função burocrática no Departamento Geral de Administração da Secretaria de Polícia Civil. O nome de Abreu constava de agenda apreendida na casa do PM Eduardo Creazzola, acusado de participar da chacina de Vigário Geral. Exames periciais realizados até agora nas 26 armas apreendidas em casas de PMs não constataram qualquer relação com os projéteis que mataram as 21 pessoas na chacina de Vigário Geral. De volta à estaca zero, a Polícia Técnica aguardava ontem, para novos exames, a chegada de cerca de 20 novas armas e munições apreendidas no último final de semana (O ESP) (FSP).