O presidente do BNDES, Pérsio Arida, disse ontem, ao tomar posse no cargo, que o programa de privatização terá agora de ser ousado, corajoso e abrangente e que a sua estrutura legal será revista. Os procedimentos operacionais também mudarão, para que o programa se torne mais ágil. Em seu entender, sem isso o governo não conseguirá fazer o ajuste do setor público e estabilizar a economia. Ele anunciou também que os trabalhadores terão mais uma opção de saque do FGTS: poderão sacá-lo sob a forma de títulos que serão aceitos como moeda no programa de privatização. O mesmo deverá ocorrer no PIS/Pasep, INSS, ou seja, nos chamados fundos sociais. Arida acentuou que ninguém será obrigado a trocar seu FGTS. "Será um mecanismo voluntário", assegurou. De acordo com Arida, o uso de fundos sociais na privatização e o aprofundamento do programa são os dois movimentos que poderão Imprimir uma nova forma às finanças do Tesouro". Arida não quis detalhar a operacionalidade das novas regras da privatização, mas garantiu que somente as dívidas mobiliárias não serão usadas como títulos. O ministro da Ciência e Tecnologia, Israel Vargas, anunciou ontem a liberação de US$10 milhões da verba obtida com o leilão de privatização da COSIPA para a conclusão de projetos estratégicos nas áreas de computação avançada, biotecnologia, saúde e projetos aeroespaciais. O ministro disse que a prioridade do governo é aplicar 30% dos recursos do Programa Nacional de Desestatização na ciência e na tecnologia brasileiras. Nos próximos dois anos, o ministro prevê repasse de US$300 milhões para o setor, fornecidos pelo programa de privatização (JC) (JB).