GRUPO NORTE-AMERICANO RESISTE À AIDS

Centro e trinta e nove homens formam o seleto grupo de soropositivos sadios-- homens que resistem há mais de 10 anos infectados pelo vírus HIV, da AIDS, nos EUA. O artista gay Rob Anderson, por exemplo, que está infectado há 14 anos, mais tempo do que a idade da própria epidemia, é um deles. Dos 139 do grupo, apenas oito são de homens infectados há mais tempo do que Anderson. São os chamados soropositivos sadios. Anderson dedica pouca atenção ao micróbio que se esconde em seu organismo. Nunca tomou AZT e não participa de grupos ativistas por causas relacionadas à doença. Morador de São Francisco, o epicentro da epidemia, o artista vive há 10 anos um relacionamento estável com um psicólogo, que não está contaminado. Anderson alimenta-se bem, pratica exercícios, evita cafeína, álcool e açúcar refinado. Consome vitaminas e raízes, aconselhado por um acupunturista, e medita duas vezes por dia. Mas ele diz que mantém estes hábitos mais por medo da velhice do que do vírus. O nível de células T no sangue das pessoas sadias é de 800 por milímetro cúbico. Quando o nível cai, é sinal de que a pessoa está se tornando vulnerável mesmo às mais brandas doenças-- sinal de que a AIDS está começando a se manifestar. Muitos especialistas que antes diziam que o vírus mataria todas as pessoas infectadas começam a duvidar disso, o que atrai cada vez mais cientistas a escrutinarem amostras de células destas pessoas em busca do segredo-- ou segredos-- que os torna resistentes. Dietas, exercícios e hábitos sadios de vida parecem ajudar a manter o vírus quieto. Mas, dizem os cientistas, o segredo da resistência pode estar em determinadas substâncias que equilibram o sistema imune, como também em determinados genes que capacitam as células a combater o HIV ou, ainda, numa infecção "benigna" por linhagens menos ferozes de HIV-- ou uma combinação de tudo isso (JB).