FALTA DE PATENTES PREJUDICA PESQUISADORES BRASILEIROS

Como a Lei de Patentes ainda será objeto de seminários no Senado Federal, a Câmara Americana de Comércio decidiu sensibilizar a comissão econômica com uma cartada econômica. Elaborou um roteiro de casos envolvendo inventores brasileiros prejudicados, aqui, pela falta das patentes: -- Ademir Carchano foi obrigado a fechar em 1992 sua empresa CVS Eletrônica depois de não suportar a concorrência com empresas que copiavam uma invenção sua: uma placa para ampliar memória de computador. -- Por falta de proteção na área farmacêutica, Luís Farah registrou sua pele sintética, a Biofill, como "dispositivo terapêutico" e só assim obteve a patente. Farah faturam alguns milhares de dólares mensalmente. -- os detentores nacionais de fórmulas de vermífugos denunciaram a pirataria de seus produtos ao governo. As cópias são de má qualidade. Por isso, estão em risco US$700 milhões de importações européias de carne brasileira que podem ser interrompidas caso se detecte o uso destes produtos. -- Criado por Odilon Nunes, o medicamento SB-73-- que fortalece o sistema imunológico-- não pôde ser registrado no Brasil e por isso corre o risco de não ser produzido, ainda que testes finais aprovem o produto. -- O biólogo Flávio Altherrum, da USP, não pôde registrar aqui uma bactéria capaz de metabolizar bagaço de cana em álcool, criada por engenharia genética com pesquisadores norte-americanos. Lá, o grupo Quadrez comprou por US$10 mil os direitos de comercialização do organismo. São ainda mais nove casos. Calcula-se que os pesquisadores brasileiros estajam deixando de ganhar anualmente perto de US$300 milhões, dinheiro que poderia ser usado também para refinanciar novas pesquisas (JB).