O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Francisco Urbano, disse que vai mobilizar os sindicatos rurais das áreas atingidas pela seca no Nordeste para organizar saques a armazéns. "Estamos na iminência de uma explosão de saques nas áreas da seca porque o desespero é muito grande. Já que existe este risco, vamos tentar, pelo menos, organizar os trabalhadores para evitar violência e baderna na hora que eles ocorrerem", disse. Urbano anunciou a mobilização dos sindicatos no fim de semana em Feira de Santana (BA). Ele disse que os saques são a única alternativa que resta aos flagelados para não morrerem de fome. Segundo a CONTAG, 2,4 milhões de trabalhadores rurais do Nordeste não têm mais o que comer. O número dos que não foram amparados pelas frentes de emergência chega a 1,2 milhão. O presidente da CONTAG disse que a orientação é de que os sindicatos liderem os saques, para evitar ataques a bodegueiros, feiras-livres e pequenos agricultores. "Os saques devem ser feitos a armazéns de atacadistas ou do governo, depois de uma avaliação dos riscos e conflitos para saber exatamente o local que vai ser atacado", afirmou. Urbano disse que em recente encontro com o presidente Itamar Franco, em Recife (PE), alertou para a iminência de uma explosão no Nordeste por causa da fome. O presidente ficou me olhando e depois disse que não tinha os recursos
75667 para resolver a situação e que precisaria da cooperação dos governadores
75667 nordestinos, contou. De acordo com levantamento da CONTAG, o número de saques ocorridos no sertão do Ceará e da Bahia já é preocupante. Urbano alertou que a tendência é de que a situação se agrave, atingindo também as áreas das frentes de emergência. Os trabalhadores empregados nas frentes recebem só meio salário-mínimo, e os atrasos no pagamento são frequentes. "Estou estarrecido com a passividade dos trabalhadores que ainda não começaram a matar o boi do fazendeiro para saciar a fome", afirmou (JB).