Os órgãos de governo e as entidades privadas encarregadas dos programas de assistência social no Terceiro Mundo não chegaram a uma conclusão sobre as formas de enfrentar a pobreza. Enquanto os órgãos oficiais defendem a posição de que o remédio para a pobreza virá com a reestruturação das economias nacionais, as organizações não- governamentais acusam os duros programas de ajuste econômico de agravar ainda mais os efeitos da pobreza. O desencontrado debate aconteceu esta semana, em Oaxaca, México, durante a Conferência de Desenvolvimento Social e Pobreza, última rodada de debates preparatórios para a Conferência sobre a Pobreza do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas 1995. De um lado ficaram o Banco Mundial (BIRD), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), agências das Nações Unidas e outras instituições multilaterais de assistência e cooperação. Estas instituições defenderam os programas de reestruturação econômica, quase universais no Terceiro Mundo, comprometidos com a redução do déficit público, com a promoção da privatização e a exportação e com o estímulo ao crescimento econômico. Do outro lado ficaram as organizações não-governamentais, institutos de pesquisa independentes e associações comunitárias e produtivas que representam o Terceiro Mundo pobre, e que se reuniram em conferências separadas em Oaxaca. Estes grupos se colocaram contra as reformas econômicas, alegando que os programas de austeridade são a causa do agravamento da pobreza. No Brasil, por exemplo, o número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza aumentou de 25% em 1980 para 39% em 1990, enquanto se implementavam medidas de ajuste econômico. Shahid Husain, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe desferiu um agudo golpe neste ponto de vista, na Conferência do México, ao defender o ajuste como necessário aos países do Terceiro Mundo, alegando que somente o ajuste "sem planejamento e caótico é que é duro com os pobres". Os dois lados concordaram, no entanto, que são necessárias medidas compensatórias para atenuar os efeitos dos programas de ajuste entre as populações mais pobres. A estratégia do Banco Mundial para aliviar a pobreza consiste em promover o crescimento econômico através de programas de austeridade, financiar projetos especiais de assistência aos mais necessitados e financiar serviços de assistência de governos (JB).