Cadeia é lugar de pobre, segundo dados do Departamento do Sistema Penitenciário (DESIPE): 70,3% dos que cumprem penas no Rio de Janeiro ganham de um a dois salários-mínimos. A Justiça usa dois pesos e duas medidas: uma mulher grávida que roubou fraudas num supermercado recebeu penas de um ano e 10 meses-- uma condenação que supera em seis meses a de um dos assassinos da estudante Cláudia Lessin, morta em 1977. No ano passado, das 216 pessoas julgadas no Tribunal do Júri do Rio por assassinato, 97 (45%) foram absolvidas e das 119 condenadas (55%), metade teve pena inferior a oito anos de prisão e 30 (25,2%) a até dois anos-- uma constatação de que o Código Penal Brasileiro em vigor desde 1942 pune com mais rigor os crimes contra o patrimônio do que os contra a vida. A pesquisa realizada pela diretora do DESIPE, Julita Lengruber, constatou que os negros e mulatos constituem a maioria dos presidiários do Rio, embora a população do estado seja composta por 60,6% de brancos. Na opinião de Julita, a ação da Polícia é dirigida de forma preponderante e intensa contra os membros dos estratos desprivilegiados da sociedade (O Globo).