MENDES JÚNIOR COMPRA A AÇOMINAS

Em meio a uma grande confusão, o governo conseguiu vender, ontem, o controle acionário da A>OMINAS, última siderúrgica a ser privatizada. A maior parte das ações foi adquirida pelo consórcio formado pela Mendes Júnior, Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), White Martins, Aços Villares e Banco do Estado de Minas Gerais (BEMGE), que desembolsaram CR$39,44 bilhões (US$378 milhões) para a compra de 39,33% do capital total da companhia. Esse grupo está associado aos funcionários da ex-estatal, que detém 20% do capital. Foram ofertadas, no leilão realizado na Bolsa de Valores de Minas Gerais-Espírito Santo-Brasília, em Belo Horizonte (MG), 170,4 bilhões de ações. Mas apenas 59% foram vendidas, por CR$45,32 bilhões (US$434,28 milhões). O restante dos papéis poderá ser arrematado até às 15 horas do próximo dia 13. Se todas as ações da A>OMINAS forem vendidas, o governo arrecadará um total de CR$52,31 bilhões (US$546 milhões). Ou seja, 90% acima do preço mínimo de venda fixado pelo BNDES, de US$297 milhões. Enquanto transcorria o leilão, do lado de fora da Bolsa de Valores manifestantes-- a maioria sindicalistas e estudantes-- entraram em confronto com a Polícia Militar. Cerca de 50 pessoas, segundo cálculos da PM, foram detidas e aproximadamente 20 ficaram feridas, sendo oito PMs. O confronto durou mais de três horas e tomou todas as ruas que cercam o prédio da bolsa. Para afastar os manifestantes do local, a PM usou dezenas de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. A polícia usou de muita violência ao prender manifestantes. As pessoas eram agarradas por grupos de até 15 soldados, que espancavam com murros, cassetadas e chutes. Os manifestantes revidavam com pedras e pedaços de pau. Para a Mendes Júnior, a aquisição da A>OMINAS foi um excelente negócio. É que a empresa consome 60% dos tarugos de aço produzidos pela siderúrgica, o que responde por 37% do seu custo de produção. Além disso, a A>OMINAS é monopolista, com 68% do mercado interno do produto, participação que aumentará ainda mais, já que a Aços Villares também fabrica tarugos. A A>OMINAS deverá consumir investimentos de US$200 milhões nos próximos dois anos, para aumentar a produtividade, redução de custos e acabamento em seus altos-fornos (JB) (FSP).