Os advogados dos quatro acusados da chacina da Candelária, em que oito meninos de rua foram assassinados no Rio de Janeiro (capital), vão alegar a nulidade do processo com base no argumento de que a defesa teria sido cerceada. Eles entrarão também com pedido de habeas corpus. A chacina ocorreu no dia 23 de julho. A decisão foi anunciada ontem pelo advogado Ekel de Souza durante o sumário de culpa-- onde foram colhidos novos depoimentos--, no 2o. Tribunal do Júri. Prestaram depoimento à juíza Maria Lúcia Capiberibe o delegado Vilson Machado Velho, que presidiu o inquérito policial e o coronel Valmir Brum, titular da Chefia de Polícia Militar. Souza, procurador do tenente Marcelo Ferreira Cortês, acusou a juíza de tolher a defesa ao permitir que o delegado Velho não fizesse ligações entre as chacinas da Candelária e a de Vigário Geral. O advogado Francisco Fernandes, defensor do soldado Cláudio Luiz Andrade dos Santos, disse que também houve cerceamento tanto no inquérito da Polícia Civil quanto na sindicância da PM. Segundo ele, o inquérito feito na DDV (Divisão de Defesa da Vida) foi a juízo, voltou e os advogados não puderam vê-lo. "Só o Ministério Público teve esse privilégio", disse. Ekel afirmou que os quatro acusados são "bodes expiatórios. Esta é uma armação conduzida pelo secretário de Justiça e de Polícia Civil, Nilo Batista, para preservar o governador Brizola de eventuais reflexos eleitorais negativos". Se for aceito o pedido de habeas corpus, que dará entrada na 1a. Câmara Criminal do Tribunal de Justiça no próximo dia 15, os quatro acusados-- além de Cortês e Santos, o soldado Marcus Vinícius Emmanuel Borges e o serralheiro Jurandir Gomes de França-- serão liberados (FSP).