Preparado a partir de sugestões dos ministérios militares, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e de deputados da Comissão de Defesa Nacional, já está nas mãos do presidente Itamar Franco o projeto de criação do Centro Federal de Inteligência (CFI), que pretende reunir as informações secretas do governo. A proposta prevê a obrigatoriedade de o governo submeter a aprovação do Senado Federal o nome do titular do órgão. Ainda está em estudos uma fórmula para fazer com que o CFI preste contas de seus gastos ao Congresso Nacional. "Estamos tentando fugir das verbas secretas, que foram usadas no tempo do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações) para patrocinar operações criminosas", afirmou ontem um dos autores da proposta. De acordo com as primeiras discussões, o CFI deverá apresentar, periodicamente, sua contabilidade à Comissão de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Ocorre que os militares temem que informações de segurança nacional acabem divulgadas por deputados que integram a comissão. Eles querem garantias de respeito ao sigilo. Ministros e deputados estão discutindo uma fórmula para preservar as informações. Uma das exigências é só permitir o acesso às prestações de contas e informes do CFI aos parlamentares da comissão, depois que eles assumirem compromisso formal com o sigilo do que for expressamente considerado de segurança nacional. A criação do CFI tem apoio dos ministros militares. A única oposição é a do diretor da Polícia Federal, coronel Wilson Romão. Ele quer que a PF assuma o controle das informações secretas, mesmo contrariando os ministros militares (O ESP).