BRASIL DEIXA DE PAGAR JUROS POR TEMPO INDETERMINADO

O presidente José Sarney vai hoje à televisão anunciar a suspensão do pagamento de juros da dívida externa por tempo indeterminado. Inicialmento o governo considerava um período de 90 dias para a vigência dessa medida, mas abandonou a intenção de estabelecer uma data limite para não prejudicar o trabalho de uma missão que enviará aos EUA para negociar com os bancos privados. Cabe ao embaixador brasileiro em Washington, Marcílio Marques Moreira, explica inicialmente essa posição ao governo norte-americano e aos bancos comerciais. Com a suspensão do pagamento dos juros, em três meses o governo pensa economizar US$3 bilhões, dos quais US$2,1 bilhões relativos ao pagamento dos juros de médio e longo prazo, que consomem US$700 milhões por mês. Ao final do período, contudo, o governo não pretende utilizar esses dólares, que passarão a compor as reservas cambiais, para quitar os atrasados. Faz parte da missão de Marcílio Marques Moreira a transformação desses débitos num empréstimo-ponte de valor equivalente, a ser concedido pelo Tesouro dos EUA, para posterior cobertura sob responsabilidade dos bancos privados. Na prática, acontecerá no período em que o Brasil negocia uma espécie de "capitalização dos juros". Eles não serão pagos mas se somarão ao principal da dívida, segundo informou um técnico da área econômica do governo. As empresas e os órgãos, públicos ou privados, que tenham dívida junto a bancos estrangeiros continuarão tendo que recolher ao Banco Central, mas em Cruzado (JB).