Um estudo do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado ontem em São Paulo, revela que o manejo sustentável de florestas nativas com finalidade madeireira pode garantir uma renda três vezes maior do que aquela proveniente da atividade madeireira tradicional, sem planejamento. O estudo foi desenvolvido ao longo de cinco anos no Município de Paragominas (PA), onde operam 137 madeireiras-- uma das maiores concentrações de madeireiras em um único município da Amazônia. Dados levantados pelo Imazon indicam que um hectare de floresta na região garante a produção de 20 metros cúbicos de madeira serrada com renda estimada em US$2,7 mil. O estudo mostra que a renda anual de um madeireiro, que opta pelo manejo sustentável de florestas, chega a US$92,00 por hectare, enquanto o trabalho convencional rende US$30,00. O objetivo da pesquisa é criar um modelo simplificado de uso do solo para municípios da Amazônia Oriental. Esse modelo seria o ponto de partida para o planejamento econômico de uma cidade como Paragominas, que tem como atividade principal a extração medeireira, mas também possui grandes áreas destinadas à agricultura e à pecuária. O município tem ao todo 2,4 milhões de hectares, dos quais 58% são florestas naturais, 14% são áreas de pasto e de cultivo agrícola, 17% representam florestas exploradas e 11% são capoeiras. A compra de um hectare em Paragominas custa, em média, US$70,00. O custo do manejo fica em torno de US$112,00 (GM).