ABERTURA DA CAIXA PRETA É GRADATIVA

A separação das contas do Tesouro Nacional e do Banco Central, anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, será concretizada, gradativamente, até o final do ano. Os efeitos imediatos da medida serão a maior clareza na administração dos gastos do Tesouro com juros dos títulos comprados pelo BC. "Seria impossível combater a inflação com a desordem nas contas do Tesouro e do Banco Central", afirmou o assessor especial do Ministério da Fazenda, Edmar Bacha, durante a solenidade de abertura da chamada caixa preta do BC. O principal efeito da medida será reduzir em US$52 bilhões, até o fim do ano, a dívida interna do governo, hoje de US$100,9 bilhões. A maior parte da redução será contábil: US$42,8 bilhões em títulos depositados no BC serão transferidos para o Tesouro. Os restantes US$9,2 bilhões correspondem ao lucro do BC no primeiro semestre, que serão usados no resgate de títulos da dívida. As despesas com juros serão reduzidas em US$8,6 bilhões (JC) (O Globo).