A equipe econômica está tendo dificuldades para avançar nas negociações com o FMI (Fundo Monetário Internacional) por causa de divergências internas em relação à necessidade de novos cortes no orçamento de 94. Enquanto o Ministério da Fazenda rediscute os números orçamentários e avalia a necessidade dos cortes para zerar o déficit estimado em US$20 bilhões, o Ministério do Planejamento não admite qualquer corte adicional. As divergências entre os técnicos que negociam com o FMI já levaram até o secretário de Orçamento e Finanças, Aurélio Nonô, a colocar seu cargo à disposição. Ele é o principal defensor da manutenção do orçamento sem cortes, por entender que a proposta já é insuficiente para atender as necessidades do governo. Segundo um dos assessores do ministro Alexis Stepanenko, atender o FMI e reduzir ainda mais as despesas seria o mesmo que parar o país. Na Fazenda predomina a avaliação de que não é possível se chegar à estabilização da economia com déficit orçamentário. Por isso, os números apresentados pela SOF estão sendo revistos e a necessidade de cortar mais despesas para equilibrar as contas vem sendo avaliada. Os assessores do ministro Fernando Henrique montaram a sua própria estrutura para fechar os números do orçamento de 94, com base nos critérios do FMI. Eles não acreditam que o déficit possa chegar a US$20 bilhões. A polêmica impediu que a equipe fechasse as projeções sobre metas de desempenho da economia, prometidas à missão do FMI para ontem. O secretário da SOF também não concorda com a proposta da Fazenda de proibir o uso da remuneração das disponibilidades do Tesouro junto ao Banco Central para cobrir despesas correntes do governo (FSP).