AGENDA REVELA AÇÃO DE GRUPO PARAMILITAR

A agenda apreendida na casa do soldado Eduardo Creazola, acusado de participar da chacina de Vigário Geral, indica a existência de um forte grupo paramilitar no Rio de Janeiro, com atividades de extermínio de pessoas e segurança de traficantes de drogas. O pagamento médio para cada soldado-- policial civil, militar ou informante-- gira em torno de US$2 mil (CR$203 mil, pelo câmbio comercial). Essa agenda apresenta indícios da participação desse grupo, os "Cavalos Corredores", nas chacinas da Candelária (oito mortos) e Acari (11 mortos), informou ontem o procurador- geral da Justiça do Estado, Antônio Carlos Biscaia. "São dezenas de nomes", disse. As investigações apontam também a participação de policiais civis e informantes (os "X-9") na matança das 21 pessoas de Vigário Geral, no dia 30, disse Biscaia. Ontem dois mandados de busca e apreensão foram expedidos para levantar provas nas casas de dois suspeitos. Eles seriam os policiais civis Edno Pereira e Délio Borba de Souza. "Não foram apenas PMs e policiais civis que participaram da chacina", disse. "Pessoas da marginalidade também". O Ministério Público também vai pedir a abertura de um inquérito pedindo o enquadramento dos policiais presos em crimes de formação de quadrilha armada, para evitar que, passado o prazo da prisão administrativa, eles sejam libertados. "Esse grupo armado tinha atividades criminosas definidas", disse Biscaia. Na agenda, os valores pelos serviços eram anotados em dólar, destacou. Dentro da agenda foi encontrado um mapa da favela de Vigário Geral, o que indica a participação do grupo paramilitar na chacina. Esse material será usado como prova de acusação, junto com os resultados dos exames de balística que estão sendo feitos pela perícia (O ESP) (O Globo).