A irritação do presidente Itamar Franco com a imagem negativa do Brasil no exterior está provocando mudanças no serviço diplomático do país. Obrigada a explicar três massacres e ainda administrar as críticas da imprensa internacional, a missão brasileira em Genebra (Suíça) resolveu criar um serviço de imprensa, destacando um diplomata exclusivamente para se ocupar de jornalistas e ativistas de organizações não-governamentais. O Brasil passou a ser o único país em desenvolvimento a manter um porta- voz em Genebra. O novo porta-voz, Frederico Arruda, ganha um salário equivalente ao seu nível na carreira de primeiro-secretário: US$8 mil. Em Genebra, entre as 135 missões de governos junto às Nações Unidas, somente as grandes potências, como os EUA, a Comunidade Européia, a Rússia e a China, mantém um serviço exclusivo de imprensa, com boletins diários. Desde o massacre de crianças no Rio, a missão brasileira está ocupando o fax das agências de notícias e de organizações de defesa de direitos humanos com notícias sobre todos os passos do governo brasileiro (O Globo).