O governo da Argentina anunciou ontem a disposição de compensar os exportadores brasileiros de bens de capital (máquinas e equipamentos para a indústria) pela perda de condições preferenciais de colocação de seus produtos naquele país. O anúncio foi feito ontem, em Brasília (DF), pelo ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, que se comprometeu ainda a manter a preferência para o Brasil no caso de importação dos produtos têxteis. Em reunião com o ministro Fernando Henrique Cardoso (Fazenda), Cavallo acertou a formação de um grupo técnico para estudar, caso a caso, as indústrias brasileiras de bens de capital prejudicadas. Os danos causados serão corrigidos, assegurou nota do Ministério (brasileiro) das Relações Exteriores, também representado na reunião. Conforme explicaram as autoridades brasileiras presentes ao encontro, com o objetivo de reconstruir seu parque industrial, esse ano a Argentina reduziu a zero as alíquotas do imposto sobre as importações de bens de capital. A atitude foi entendida pelo Brasil como uma quebra do acordo que prevê a prática de tarifas preferenciais (reduzidas, atualmente em 75%) entre os países do MERCOSUL. Cavallo não explicou, no entanto, que mecanismos compensatórios serão adotados em relação ao Brasil (FSP).