PM VAI TER BATALHÕES COM MENOS SOLDADOS

O governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), anunciou ontem que vai promover o desmembramento dos batalhões da Polícia Militar, transformando-os em unidades menores, para dinamizar a PM e evitar desvios de conduta dos policiais militares. Brizola anunciou a decisão depois de se reunir com os secretários de Polícia Civil, Nilo Batista, e de Polícia Militar, Carlos Magno Nazareth Cerqueira. "Vamos fazer com que as grandes unidades se transformem em pequenos destacamentos. Cuidando de uma área menor, o comandante e a oficialidade poderão manter maior convivência com os soldados, evitando que eles cometam desvios, façam violência ou sejam envolvidos em esquemas de propina e corrupção", disse o governador. Segundo o secretário de Polícia Civil, Nilo Batista, a descentralização não implicará gastos para o governo, já que serão usados pequenos imóveis nos bairros, alguns deles pertencentes ao estado. Serão destacamentos com cerca de 50 a 60 homens. Faremos uma experiência
75608 inicial num ponto da cidade, ainda não escolhido, e depois vamos fazer
75608 adaptações, disse o secretário. O governador acrescentou que a polícia ainda precisa avançar nas investigações para saber o que motivou a chacina de Vigário Geral. Segundo ele, "não se faz uma operação espontânea com 15 ou 20 integrantes sem que haja um comandante e um planejamento. Verifica-se que não há só gente da PM, mas também da Polícia Civil e de polícias particulares na chacina". Os soldados Leandro Marques da Costa (14o. BPM) e Júlio César Braga (16o. BPM) foram presos ontem como suspeitos da chacina de Vigário Geral. Agora já são 15 os PMs em prisão administrativa. Sem provas para incriminar os 15 PMs presos administrativamente, a polícia adotou uma antiga estratégia: instaurar novo inquérito para enquadrá-los por formação de quadrilha ou bando armado. Segundo o diretor da Divisão de Defesa da Vida (DDV), delegado Wilson Machado Velho, dessa forma a polícia tem condições de pedir a prisão preventiva dos suspeitos, já que as provas disponíveis são suficientes. Ele citou algumas, como a relação entre os detidos, as armas de uns apreendidas com os outros, os capuzes, algemas e veículos de procedência duvidosa. Cerca de 300 pessoas participaram ontem de manhã da missa de sétimo dia pelos 21 executados de Vigário Geral celebrada pelo cardeal arcebispo do Rio, Eugenio Sales. "Quero trazer uma palavra de valorização da vida, não por ódio, mas os culpados devem receber a pena que lhes é devida", disse dom Eugenio (O Globo) (JB).