A Polícia Federal solicitou ontem a prisão temporária de quatro garimpeiros suspeitos de serem os responsáveis pela chacina de 16 yanomamis, que causou também o ferimento em outros quatro índios. O pedido, acompanhado de um relatório sobre o caso, foi dirigido ao juiz federal Renato Martins Prates, de Roraima, pelo delegado Raimundo Soares Cutrim, responsável pelas investigações. São acusados os garimpeiros João Neto, Pedro Emiliano Garcia, o "Pedro Prancheta", e mais dois identificados por "Parazinho" e "Pedrão". A PF não sabe o paradeiro dos quatro garimpeiros. O delegado disse que 19 pessoas participaram do massacre. Um bilhete escrito por um garimpeiro teria sido a senha para o massacre. De acordo com o relatório da PF, em junho saíram da maloca Haximu, rumo a um acampamento de garimpeiros, os índios Reikim, Paulo Makvama, Geraldo, Caperiano e o filho de Waytereoma. No local, Pedro Garcia abasteceu o grupo de arroz e farinha e pediu que entregasse um bilhete a um companheiro, num acampamento próximo. "Faça bom proveito desse otários", dizia o bilhete. Na volta, após uma hora de caminhada, sete garimpeiros cercaram os índios e mataram quatro. Em represália, dias depois os yanomamis mataram o garimpeiro "Fininho" e balearam "Neguinho", e se refugiaram num "tapiri" (acampamento provisório). A maioria dos 85 indígenas da maloca Haximu tinha ido para um festa na maloca do Simão, nas imediações, quando os garimpeiros chegaram ao local. Depois de destruir a pequena comunidade, mataram à bala 12 índios, entre homens, mulheres e crianças, e esquartejaram os corpos. O relatório não faz referência sobre a causa do crime. O Itamaraty informou que nos próximos dias a comissão Brasileiro- Venezuelano Demarcadora de Limites estará realizando a verificação em conjunto na região limítrofe entre os dois países (O ESP) (FSP).