A investigação da chacina da favela de Vigário Geral no Rio de Janeiro (capital) revelou à polícia a existência de um grande grupo criminoso-- apoiado por políticos e empresários e formado por policiais militares e civis-- envolvido em extermínios, contrabando de armas, tráfico de drogas e assaltos. Já estão presos 13 PMs suspeitos de integrar este grupo e de atuar na mantança de 21 moradores da favela. Designado para acompanha o trabalho policial, o promotor Mendelssohn Pereira disse ontem que a chacina é apenas a "ponta do iceberg" dos crimes praticados por este grupo. "A coisa é de uma amplitude muito maior. Vai ser feito um pente fino, a polícia será saneada. Será uma operação marco zero, uma operação faxina, que marcará o início de uma nova fase policial no Rio", afirmou ele. Promotor da Central de Inquéritos do Ministério Público, Pereira disse que o bando que praticou a chacina de Vigário Geral está ligado a outros casos policiais rumorosos, como o desaparecimento de 11 jovens na favela de Acari (zona norte), há quatro anos, e a recente matança de oito meninos na Candelária. A` medida que as investigações avançarem o inquérito sobre os crimes de Vigário Geral será desmembrado. "A apuração está mostrando a existência de grupos articulados. São inúmeros outros crimes e chacinas que estão aparecendo. Cada um deles resultará em um inquérito filhote", disse o promotor, para quem a investigação "vai chegar a todos os escalões da cidade, doa a quem doer" (FSP).